Rota 2030 não entra em vigor e Brasil começa 2018 sem plano para indústria automotiva

O Rota 2030 não foi finalizado a tempo de vigorar logo após o término do Inovar Auto, que acabou no domingo (31), mesmo com meses reuniões e planos. De acordo com o Ministério da Indústria e Comércio (MDIC), o plano não deve sair antes de fevereiro devido a impasses do governo.

Impostos e renúncia fiscal estão entre as polêmicas. O Rota 2030 também deverá trazer novidades como incentivos à produção de veículos elétricos e híbridos e ao aumento da segurança dos veículos, adianta o secretário de desenvolvimento e competitividade industrial do MDIC, Igor Calvet.

Uma das polêmicas se refere ao IPI. De acordo com Calvet, o MDIC quer manter o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no nível anterior ao Inovar Auto, entre 7% (para carros com motor de até 1.0 litro) e 25% (para os que têm motores acima de 2.0). Essas alíquotas passaram a vigorar novamente em 1º de janeiro, com o fim do Inovar Auto. O Ministério da Indústria defende também que as montadoras recebam descontos de 1 a 2 ponto percentuais no imposto a partir de 2022, se atingirem metas de eficiência energética, algo que já existia no Inovar, e também de segurança veicular.

Segundo o portal G1, o ministério da Fazenda não concorda com os descontos e prefere elevar todas as alíquotas do IPI em 2 pontos percentuais, o que levaria as alíquotas para 9% até 27%.

Assim como no Inovar Auto, que subiu o IPI em 30 pontos, esse acréscimo seria eliminado com a adesão ao Rota 2030 e o cumprimento de metas. O presidente Michel Temer deverá ser o árbitro dessa disputa.

O setor automotivo deve continuar a receber incentivos do governo brasileiro, que vão girar em torno de R$ 1,5 bilhão ao ano, segundo Calvet. O volume é similar ao benefício dado em 2017, informou o Ministério da Indústria.

Diferentemente do Inovar Auto, o subsídio não deve ficar atrelado a produção local, mas sim a investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). No entanto, ainda há divergência em como essa renúncia será feita.

Sem diferenciação entre importados e nacionais

Um dos poucos consensos, segundo o MDIC, é que a diferenciação de tributos para carros nacionais e importados deve ser mesmo extinta, para não correr o risco de uma nova condenação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Com isso, o mercado brasileiro deverá receber uma nova onda de modelos importados já no começo de 2018. De acordo com o o secretário Calvet, a venda de carros feitos fora do Brasil, Mercosul e México pode crescer dos atuais 10% para até 20% em 5 anos.

Eficiência energética

Nos últimos 5 anos, a média do consumo de combustível dos carros novos melhorou em 15%, graças às metas de eficiência do Invoar Auto, de acordo com os dados preliminares do MDIC.

O balanço oficial será divulgado no início deste ano, mas a média ficará acima do mínimo estipulado pelo Inovar Auto, de 12%.

De acordo com Calvet, a intenção do governo é estabelecer uma nova redução de cerca de 12% para os próximos 5 anos, o que vai exigir ainda mais esforço e investimentos das fabricantes.

Segurança veicular

Uma novidade do Rota 2030 deve ser as metas para as montadoras melhorarem a segurança dos veículos vendidos no Brasil. O MDIC já elaborou um cronograma de itens que devem ser obrigatórios a partir de 2022, mas quem se antecipar poderá receber algum benefício.

Híbridos e elétricos

O MDIC diz que pretende incentivar a venda de modelos híbridos e elétricos, que poluem menos que os tradicionais veículos a combustão. Para isso, o ministério apresentou proposta para igualar o IPI dos elétricos aos dos carros 1.0, em 7%.

Outra aposta são os “híbridos flex”. Ainda não existe nenhum modelo “verde” no mercado que aceite etanol, mas pelo menos duas empresas japonesas (Nissan e Toyota) estão desenvolvendo a tecnologia.

Fonte: G1

Sugestão de leitura:

-> Fazenda desqualifica e interdita o Rota 2030.

André Gobi
André Gobi
Bacharel em História pela UNESP, também estudou Jornalismo Empresarial e Assessoria de Imprensa na Universidade Gama Filho. Atualmente, cursa a pós-graduação em Jornalismo Científico na UNICAMP, e responde pela redação do Portal Aquecimento Industrial.

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